quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Relato da fome (Terceiro Cavaleiro do Apocalipse)



Segundo o apóstolo João eu só deveria aparecer no fim dos tempos
contudo anoiteceu e eu vi uma criança dormir para não me receber,
em seu sono ela abraçava o corpo, tentava abrandar o que estava vivendo
eu gritei aquela noite, mas ela apenas se encolheu e procurou esquecer.

Caminhei sobre as ruas, encontrei na calçada um homem chorando
perguntei o que afligia, se estava doente ou machucado 
ele disse que chorava de vergonha e que até mesmo a morte estava considerando,
pois seus filhos tinham fome, mas seu dinheiro havia acabado.

Seria esse o fim dos tempos? Me indago, completamente absorto
e uma rameira se aproximou achando grosseira minha indagação,
explicou que preferia uma vida sem decência e um coração morto,
mas que na cama de sua mãe enferma não faltasse remédio ou pão.

Sou o terceiro cavaleiro do Apocalipse, comumente chamado de fome
mas na minha balança não vejo justiça, apenas desespero
como a sociedade chegou a isso? O que foi feito da humanidade?
o fim chegou antes ou homem o levou a si mesmo a estaca zero?     
 

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Mudança

 



A cada passo que eu dou estou deixando de ser eu,

mas a cada passo também estou descobrindo o que sou,

quando eu olho para trás sinto saudades de tanta coisa que aconteceu,

mas quando olho para frente fico feliz que muita coisa mudou.


Crescer é uma palavra estranha, na vida não é a gente que cresce

são as emoções, as responsabilidades e a resistência para como o mundo,

pois ele dói, assusta e nem sempre parece justo com o que oferece,

contudo nem todos esses medos limitam outros sentimentos mais profundos.


Me tornando eu descobri minha voz, assim como interesse pelo ignorado,

o que antes era silêncio agora se tornou palavras que não conhecia,

mas o que eu não conhecia não me assustou, na verdade me fez sentir amado,

existe ódio na terra, porém também a amor e poesia.


Chorei ao abandonar o que era, maturidade dificilmente vêm com sorrisos

ainda tenho o mesmo coração, mas com conhecimento ele está agora preenchido

mudar não vem de uma simples necessidade, vem do que é preciso

existe quem quer voltar ao passado, mas entendi que na vida tudo tem um sentido.


A cada passo que eu dou estou deixando de ser eu,

mas a cada passo também estou descobrindo o que sou,

carrego o necessário para saber a mudança que cada passo concedeu,

caminhar me faz sentir vivo e prova que eu estou.


Autora : Samanta Zubinha