quinta-feira, 6 de março de 2025

Bastiel (Preguiça)
















Quando criador e criatura chegaram ao conflito eu abdiquei
não peguei minha espada e me coloquei ao lado do meu irmão,
também não obedeci às palavras de meu pai e assim pequei, 
a graça foi algo que perdi na crença do amor com absolvição.

Acolhido no fogo abracei aqueles que se encontravam ali comigo
transformei a leitura de minha sentença em uma nova casa,
mesmo caído mostrei a dignidade de um príncipe sob meu castigo,
não me foi arrancada a vida, apenas as minhas asas.

Descrito como um inimigo que briga, nunca como um guerreiro
apresentei minha força as hostes e também aqueles sem respeito,
criei aversão ao equilíbrio, tudo nele refletindo o sacrifício de um cordeiro,
 não vejo na gloria beleza, apenas algo que não emana direito.

Os homens culpam minhas invenções, nunca seus atos, sua cobiça
são sempre minhas influências, como se não houvesse livre arbítrio,
por sua própria falta de resistência que denominam meu círculo o da preguiça,
 nunca obrigo ninguém, tudo o que ofereço é auxílio. 

Expulso do céu por traição, mas visto como irmão entre os renegados, 
dono do seu próprio trono, mas ferramenta para humanidade,  
por fim um pecador, que não soube escolher um dos lados, 
cuja essência foi transformada, para o que hoje é a maldade.

Autora: Samanta Zubinha