quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Notas de Despedida (As asas de ícaro)

 



Eu não tenho medo do mundo, eu tenho medo de você

seria tão mais fácil se você fosse desprezível, mas você só me deixa assustado, 

não com as coisas que você faz comigo, mas com o que sinto por você, 

não sei se é assim que deveria se sentir alguém apaixonado.


"Não se trata de para onde você vai, mas para onde volta" comentou certa vez,

e eu quis acreditar que você sempre voltaria para mim, 

você disse que eu era seu lar e logo depois se desfez,

eu deveria ter previsto nesse momento o prelúdio do fim.


O velho jogo de cartas, fazer amor de madrugada e discutir a política do país

dei ao meu deus seu nome e o chamei como uma oração, 

corremos pela praia e você disse que nunca foi tão feliz,

as vezes pessoas se entrelaçam, mas destinos não. 


Você não voltou da forma que pedi, mas da forma que pôde

e eu gritei as palavras que você sempre temeu serem reais

foi a última vez que eu ouvi da sua boca meu sobrenome 

e senti a verdade daquele ditado, A lágrima que mais dói é aquela que não cai".


Você me ensinou a crença no amor, mas me fez perder a fé, 

metade de uma felicidade, é igual a felicidade nenhuma

pois o anseio por completo nós agonia de tal forma, que diminui quem a gente é,

no final eu não desisti, mas entendi que não tínhamos chance alguma. 



Autora: Samanta Zubinha

domingo, 1 de outubro de 2023

Apenas amigos ( Não soube separar)


O problema começou com um pedido simples "Vamos ser amigos?"
mas eu sabia que algo estava errado na primeira vez que partilhamos a cama,
você disse "São dois órgãos diferentes, é possível separar o coração e o que fica rijo"
abri uma exceção para você, sabendo que você goza, mas não ama.

Cuidei de você bêbado e escutei como o álcool te deixou órfão aos doze anos,   
desconfortável ouvimos os discos velhos da sua mãe e eu te contei a história triste do meu pai
fomos nos afogando um no outro não nos importando com os danos,
rimos juntos de um sonho bobo de abrir um bar em Chiang Mai.

Você sempre teve consciência de como eu te olhava, do que eu sentia
mas você não me afastava, você dizia "Sua presença me faz feliz"
eu te beijava como um eu te amo, mas você só queria minha companhia
Aquele "Eu me importo com seus sentimentos" foi a mentira mais infeliz.

Lembrei da minha mãe dizendo "Tudo que é divertido hoje, amanhã pode deixar de ser"  
e não quero mais seguir esse espetáculo ser o coadjuvante, a segunda cadeira, 
te amar foi maravilhoso, mas não posso fechar os olhos para como me fez sofrer
nunca fomos amigos de verdade, chamar isso de amizade é uma besteira. 

Então adeus, acenda sozinho o seu próprio cigarro, não tenho mais fogo
segure sua garrafa de whisky e solte a minha mão,
vá desperdiçar seu amor com quem joga o seu jogo, 
eu vou levar comigo as memorias, a dor e o que resta do meu coração.


Autora : Samanta Zubinha

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Meu menino



 Ontem eu vi meu menino chorar enquanto me contava uma história

ver o pedaço mais bonito da minha alma falar sobre palavras amargas me partiu, 

a dor que assisti em seus olhos e o medo que senti ficaram cravados na minha memória, 

como pode o mundo ter sido tão cruel com alguém que sempre foi tão gentil ?


Ontem vi meu menino sentado abraçando o próprio corpo atrás de segurança

ele disse “Achei que a sociedade fosse melhor hoje, estamos no século vinte e um” 

o abracei tão forte quanto pude, queria oferecer a ele todo conforto e esperança,

quis que soubesse que iria protegê lo, que ele não precisava temer mal algum.  


Ontem ouvi meu menino dizer que não se sente à vontade para pedir ajuda

que não quer parecer frágil, que não quer ser um peso ou que alguém o conserte,

fiquei completamente em prantos ao ouvir aquilo, ao ver sua alma desnuda

ele sempre foi o meu apoio, mas não enxerga todo o amor que ele merece.


Ontem derramei lágrimas pela dor que no passado o meu menino sentiu 

lavei  meu rosto com os pesadelos que ainda o assombram por dentro,

Me promete que vai me contar se acontecer de novo?” indaguei e ele assentiu, 

“Eu não quero te consertar meu menino, eu te amo e no meu mundo você está no centro”.


Autora: Samanta Zubinha




quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Palavra impropria (Adeus)




Me apaixonar  por você foi assumir uma dor que eu tinha consciência de não suportar

contudo se todos os meus desejos pudessem ser postos em uma palavra seria o seu nome,

se é fato que toda alma vem com um proposito talvez a minha tenha vindo te encontrar,

amor não é sinônimo de felicidade, mas com certeza existe nele algo que nos consome.


Você não veio acompanhado do  sofrimento, mas nosso encontro aconteceu  com certa melancolia 

aprender sobre o brilho dos seus olhos foi como observar uma supernova acontecer,

existia certa tranquilidade em viver no caos que causava sua companhia,

você me ensinou a ver beleza no outono mesmo que tudo nele  pareça padecer.


Se ainda estivesse aqui eu gostaria de te dizer mais uma vez que a lua é linda,

sorrir para o segredo que contamos ao mundo, mas que ele não entende o significado,

talvez me desculparia por não cumprir nossa promessa, por não não ter te deixado ainda

mas acho improprio usar adeus para alguém que  não deixara de ser amado. 


Autora: Samanta Zubinha



quinta-feira, 27 de julho de 2023

Passado virtuoso



É estranho como você é o único erro que não tenho arrependimentos

uma lembrança tão dolorosa, mas que me mantém com um  sorriso no rosto

gosto de pensar todos dias que vou te deixar ir, mas fico feliz que não há esquecimento,

a saudade é um veneno que mata, principalmente após da ambrosia ter um gosto.


Você disse que fazer o certo nem sempre tem haver com nossos desejos,

agora todos os dias eu reflito no quanto as virtudes podem ser impróprias

fiz minhas escolhas com benevolência, mas no espelho um coração mutilado é o que vejo

os contos de fadas nunca expõe o real em suas histórias.


Se o amor pudesse manter pessoas juntas creio que nunca conheceríamos a palavra distância

mas você trouxe em mim a experiência de querer ser melhor,

então eu fiz o que deveria ser feito naquela circunstância

salvei nós dois com um adeus, um sacrifício pelo bem maior. 



Autora: Samanta Zubinha

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Chocolate amargo

 


Qual a pior desgraça, viver sem conhecer o amor ou conhecê-lo e perder? 

foi o que eu me perguntei quando descobri sua iminente partida, 

dói tanto imaginar que te encontrei tarde demais, mas com tantos planos para viver, 

agora te olhar machuca, pois não consigo te imaginar fora da minha vida. 


Nós descansando sob o sol ou vendo as estrelas em cima do telhado

você sorrindo bobo me perguntando qual seria minha próxima loucura,

queria dizer que a maior loucura era querer ficar ao seu lado, 

mas não queria manchar com sofrimento um momento de ternura. 


"Você não tem o direito de se sentir assim" foi o que me falou enquanto eu chorava,

e eu gritei "Tenho todos os direitos e foi você que meu quando entrou no meu peito"

 pela primeira vez você confessou o que nosso silêncio falava,

estávamos assustados e com medo, mas naquela noite um abraço nos fez satisfeitos. 


Não te conhecer teria sido como não conhecer uma parte de mim,

então nunca existirá arrependimento no que fomos, mas o amor agora tem um gosto amargo,

você cumpriu a promessa de ficar comigo até o fim, 

pois mesmo que para você tenha ido mais cedo, em mim ficará para sempre guardado. 


Autora: Samanta Zubinha


quarta-feira, 1 de março de 2023

Tempo ( Coelho branco)



 Nós construímos o tempo achando que seria útil uma delimitação

todavia todo limite significa em algum ponto impedimento,

faz sentido dizer que o homem criou sua própria destruição,

pois foi isso que aconteceu com a nossa necessidade de tempo.


Hoje a pressa leva ao distanciamento e a quebra de relações

a desistência é justificada para quem esta atrasado demais para realizar um sonho,

ansiedade  nos faz acelerados e desequilibrados perante nossas emoções, 

e a espera é como a morte para quem vive enfadonho.

 

Temos uma linha de chegada para as realizações de uma vida

correndo como o coelho branco, não em busca da felicidade, mas do sucesso

não temos tempo para as maravilhas, pois pelo relógio eles foram absorvidas

ninguém admite que a depressão foi um preço cobrado pelo progresso.  


Nós construímos o tempo, para ele mais tarde nos fazer de refém 

para ele nos dizer que caminho seguir ou se tudo esta perdido, 

para provar algo ou simplesmente falar que não somos ninguém,

para determinar aquilo que vale a pena ser esquecido. 


Autora: Samanta Zubinha 


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Todos os dias



Todos os dias ela se mata em pequenas doses,

todos os dias ela veste um personagem e sorri feliz, 

todos os dias ela escuta vozes em sua cabeça, mas não é neurose, 

todos os dias ela ajuda alguém a se sentir menos infeliz. 


estranho como todos os dias ela pensa em desistir e continua, 

é estranho como todos os dias ela chora, mas ainda é forte, 

é estranho como todos os dias ela vai para o inferno e continua pura, 

é estranho como todos os dias ela tem medo da vida e não da morte. 


É confuso para ela todos os dias acordar sem querer os olhos abrir, 

é confuso para ela todos os dias ver a empatia se tornando abuso, 

é confuso para ela todos os dias saber que as coisas estão bem, mas não conseguir sorrir

é confuso para ela todos os dias saber que o coração é um músculo intenso,

 e que pela sociedade tem pouco uso. 


Todos os dias ela escreve para se sentir melhor, 

todos os dias ela busca fugir da realidade, 

todos os dias ela agradece mesmo que se sinta pior,

todos os dias ela espera que o amor se torne uma verdade. 



Autora: Samanta Zubinha