sexta-feira, 24 de abril de 2026

Relato da Morte ( Cavaleiro do Apocalipse )











Pelas escrituras antigas eu só poderia caminhar nesse plano quando próximo do fim,

mas que mundo é esse que trata a vida de seus semelhantes com tanta frivolidade ?

eu estive em uma escola onde o sangue jovem se derramava no chão marfim, 

onde uma bomba caiu sob os inocentes, mas se tornou normalizado pela sociedade.


Eu vejo um homem doente, uma mulher em histeria e uma criança suja

observo enquanto a mulher implora, pois, seu marido está fraco e sua criança desnutrida

mas ninguém lhe estende a mão, nem mesmo dão ouvidos ao seu pedido de ajuda

abracei aquela familia não pela minha vontade, mas quando pelo desespero ela se viu consumida.


A  minha gadanha não assusta, tão pouco o trotar do meu cavalo baio

o que assusta é o espírito que se destrói em meio a falsas doutrinações, 

não é necessária a espada, a fome ou peste, pois o homem é sua propria fera,

ele mesmo cria o rastro de  morte e o leva as demais nações. 


Sou a Morte o último cavaleiro do apocalipse, o descanso eterno

mas diferente das escrituras eu não venho para matar, mas para ver o corpo apodrecer

pois a humanidade já esta se matando, guiando a si mesma ao inferno, 

eu posso ser a finalidade, mas é o homem que escolhe aquele que vai morrer.


Autora: Samanta Zubinha


quarta-feira, 8 de abril de 2026

Quase

 Eu quase consegui, quase tive tudo, 

quase alcancei o céu, quase tive o mundo 

quase parei uma bala, quase fui sortudo 

quase me senti limpo, quase não cheguei ao fundo. 


Eu quase acreditei, quase tive alguém além de mim

quase tirei o retrato perfeito, quase uma beleza genuína

quase uma família, quase o dia não foi ruim

quase a vida foi  boa, quase não conheci a ruína.


Quase vivo um amor, quase perco a ambição 

quase um homem abençoado, quase fincando raiz 

quase sem arrependimentos, quase obtendo o perdão 

mas quase não conta, pois eu apenas quase fui feliz. 


Autora: Samanta Zubinha

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Pedido de Desculpas



Eu não sei receber afeto, ele me desconcerta e consterna

como uma dúvida que me deixa nervosa ou uma surpresa que me assusta,

é um anseio ao mesmo tempo uma angústia interna,

cada vez que é ofertado eu me sinto um cavaleiro em uma justa.


Não espere que eu saiba responder um elogio ou palavras gentis

pois por mais sincero que seja o sentimento eu não consigo acreditar, 

 estou sempre em busca de mentiras sutis 

 é sempre mais fácil considerar o engano do que confiar.


´E para cada pessoa que entra é uma decepção, um tempo perdido

assim como a confirmação que sou eu o problema, a inadequada

o afeto me distância das pessoas, pois por ele eu me sinto agredida

eu não sei me sentir bem quando sou amada.


Autora: Samanta Zubinha