Depois que você se foi o silêncio parece tão alto
mas dentro da minha cabeça o ruído é tão diferente,
queria dizer que tudo está igual, mas acordo com um sobressalto
e repasso a resposta que te daria pela manhã Não estou doente.
Depois que você se foi existe mais espaço, mas existe mais vazio
é tão esquisito reconhecer a solitude, mas não a liberdade,
acordar sem o calor de um Bom dia, faz o dia mais frio,
assim como me faz encarar outras verdades.
Depois que você se foi eu tenho mais tempo e mais palavras,
mas o que é o tempo senão algo a ser preenchido?
e qual a função das palavras sem alguém para as direcionar?
agora parece como se você nunca tivesse existido,
todavia a dor torna sua existência algo impossível de negar.
Depois que você se foi você voltou a habitar meus manuscritos,
assim como a jogar com meus pensamentos e minha consciência,
eu repasso todas as histórias, as piadas, tudo que foi dito,
mas você sabe que analisar nunca foi a minha ciência.
Agora que você se foi só resta aceitar que existe vida depois,
aceitar o silêncio, reduzir as palavras e talvez escolher um lugar menor,
abafar o ruído, guardar o relógio e saber que não são mais dois,
e acreditar que em algum plano isso foi o melhor.
Autora: Samanta Zubinha