domingo, 24 de maio de 2015

Feridas de uma noite


A musica que eu ouço tocou numa noite vazia
coberta por  uma onda suave de prazer e mentira,
o contraste forte e quente com a chuva lá fora fria
hoje me da saudade e enche de ira .

Os olhos em chamas e o pensamento desequilibrado
aroma que inebriava o ar  e o  gosto do corpo salgado,
um mundo sem inibição uma deslumbrante fantasia
segredos por mais guardados aparecem com a luz do dia.

Minha alma é como o pássaro que num voou alto caiu
se recuperou da queda mas do chão não mais saiu,
não existe liberdade eu não controlava mais a mim
voei num olhar cruel e encontrei nele meu fim.

A queda de um poeta é quando incapaz de palavras ele se mostra
como um apostador que perdeu tudo numa única aposta,
a raiva de uma ilusão o conforto que ela promete
a cabeça só funciona depois que o erro se comete.

A beleza de uma noite servida de loucura
penumbra minha mente com tanta doçura
licor e um corpo eram tudo para me embebedar
perdia o juízo no engano de amar .

E as notas que terminam a musica hoje acabam comigo
pois o que não passou de enganação um dia foi meu abrigo
 recordar é dar espaço para abrir as feridas
que talvez sejam a única coisa que sinto nessa vida.


Autora: Samanta Aparecida Zubinha Maciel

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