Ele tinha um olhar perdido, um olhar que me pedia para resgatá-lo de algum lugar, trazê-lo de volta de onde nem ele mesmo sabia que se perdeu; ele não precisava dizer o que se passava em sua mente, eu sabia e pior que isso sabia o que estava em seu coração.
Ele significa tanto para mim, mas ao mesmo tempo eu sei que não significa tudo para mim, e é isso que me mata é isso que nos mata.
Saber o que ele quer, o que precisa e o que posso oferecer não ajuda, pois nós dois temos consciência de nós e de que nunca haverá nós. Posso lhe oferecer carinho, posso demonstrar desejo e até mesmo sentir prazer, mas não é isso que ele quer. Ele precisa saber que não está só, precisa de segurança, amor e não uma solidão acompanhada.
Eu nunca poderia entregar o que ele quer, meu coração nem mais a mim pertence, oferta-lo já fiz, de modo que temos pleno conhecimento de nossas próprias limitações.
– Você não me ama, não pode, certo? Ele diz interrompendo o silêncio que havia se instaurado na sala.
Minha cabeça baixa e um nó se aloja em minha garganta. Não eram necessárias as palavras, nós dois sabemos a verdade.
Ergui o olhar, ao encontrar os olhos dele vi que ele não estava mais perdido, não existia mais a dúvida, não existia mais a possibilidade e com a sonora rejeição não existia mais esperança.
Alívio não tem haver com paz, mas sim liberdade, eu o liberei, mas isso não significa que não o feri.

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